sábado, 29 de agosto de 2009

Discos de cabeceira




LEGIÃO URBANA- V (1991)

Esse deveria entrar, sem dúvida alguma, na categoria Discos que mudaram minha vida. Piegas? Exagero? I don´t think so. Esse disco realmente mudou algo. Antes dele, eu estava completando a transição do moleque fã de Asa de águia para o moleque fã de Rock n´Roll.
E o que eu ouvia eram coisas pesadas - no som ou na temática escrachada - Os Mamonas, Raimundos, bandas de hardcore e punk.
E aí veio esse disco.
Totalmente oposto a tudo o que eu ouvia. Sonoridade calma, serena, melancólica- e algumas músicas com temáticas não menos pesadas, porém mais sérias,como solidão e drogas, por exemplo.
Esse disco foi realmente concebido pela banda para ser lento e melancólico, para causar estranheza àqueles que os acompanhavam desde o primeiro disco e que já haviam inclusive absorvido a sonoridade já serena do antecessor As Quatro Estações,de 1989. Há, no encarte, duas frases que explicam o conceito ali explorado: a primeira,creditada a Brian Jones, falecido ex-guitarrista dos Rolling Stones: "Such psychic weaklings has western civilization made of so many of us - Tão fracos da psiquê(ou da alma) a civilização ocidental fez de tantos de nós". A outra era "bem vindos aos anos 70!". Aí se explicam os conceitos sonoros(flertes com progressivo, estilo típico dos 70) e temáticos das canções(melancolia, desolação).
Os rompantes de progressividade estão presentes na primeira faixa, "Metal contra as nuvens", precedida por uma cantiga de amor portuguesa do século XIII, que dava pistas para a temática meio medieval de "Metal". Com 11 minutos, essa música merece um tratado, pois vários são os temas abordados nela. Solidão(temática que permeia o disco todo) e desilusão com o país, então em plena Governo Collor, posto metaforicamente nas entrelinhas - "quase acreditei na sua promessa, e o que vejo é fome e destruição, perdi a minha cela e a minha espada, perdi o meu castelo e minha princesa".Tudo como se fosse a saga de um cavaleiro medieval, mas na verdade era real situação daquele momento que estava sendo cantada. No fim, algumas mensagens positivas:"não me entrego sem lutar, tenho ainda coração, não aprendi a me render- que caia o inimigo então. Tudo passa, tudo passará" ou "vamos viver, temos muito ainda por fazer. Não olhe pra trás - apenas começamos." Afinal, nem tudo é pessimismo e sempre há uma luz.
Depois, a viajante "Ordem dos Templários", instrumental, e em seguida, "A Montanha Mágica", a tal que fala de drogas. O que dizer de versos como "minha papoula da índia, minha flor da Tailândia, és o que tenho de suave - e me fazes tão mal". A tentativa de desintoxicação:"deixa o copo encher até a borda, eu quero um dia de sol num copo d´agua", referência ao alcoolismo do cantor.
Há mais refrências à Era Collor em "Teatro dos Vampiros" - "os meus amigos todos estão procurando emprego", que hoje em dia poderia virar 'os meus amigos todos estão prestando concursos públicos". Temática atualíssima, basta só fazer as devidas alterações...
Uma música mais "animada", "Sereníssima", seguida de "Vento no Litoral", que Arthur Dapieve, biógrafo de Renato Russo, descreve como "nunca uma caminhada à beira-mar havia sido tão cinza, tão dolorosa". Ao ouvir a letra, dá pra imaginar o cenário: fim de tarde, numa praia qualquer, alguém caminhando só, aquele vento gelado de chuva por vir, o céu cinzento...Dor-de-cotovelo total. Quem nunca se sentiu daquele jeito atire a primeira pedra...
Pra contrabalançar, uma música mais levinha, "O mundo anda tão complicado", que fala de um casal que está começando uma vida a dois. Como não há uso de artigos ou quaisquer palavras que caracterizem os sujeitos, pode ser qualquer casal, até mesmo Eduardo e Mônica, de outra canção da banda. Por último, L`age Dor, com guitarras raivosas e ótimos riffs- pra quem acha que o Dado Villa Lobos não tocava nada, ouça com atenção o trabalho de guitarras dessa faixa... Mais uma vez, referências a drogas e o esforço para livrar-se delas.
Várias sãos as referências à vida pessoal do cantor. Porém, apesar disso, dá pra se identificar bastante em algum momento com alguma dessas canções, pela forma com que as letras são construídas - um trunfo do autor, que, com isso, conseguiu e ainda consegue, mesmo após sua morte, angariar vários fãs,como aquele moleque de 14 pra 15 anos(eu), fã dos Mamonas e dos Raimundos e que só queria saber de ouvir som rápido e pesado.
Por que esse disco me mudou? pelo fato de começar a apreciar letras mais elaboradas, com certo lirismo, e sonoridades menos raivosas, mais serenas. Não sei se esse disco me transformou num ser humano melhor, mas com certeza me transformou num ouvinte melhor de música.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

NOTÍCIA: O CD vai diminuir de preço (sei...)



Diante da alardeada iminente "morte" do CD como suporte de músicas, é aprovada uma emenda constitucional que reduz taxas e encargos que incidem na fabricação do mesmo. Incrível a agilidade das pessoas que tomam as decisões nesse país. Tal decisão foi tomada com... uns dez anos de atraso? Depois que a pirataria e a troca de arquivos já se consolidaram? Depois que vários artistas estão buscando novas alternativas a um modelo que está realmente fadado a ser página virada na história?
Tapar sol com peneira, como sempre. Só para eles se vangloriarem de que estão preocupados com questões referentes à cultura e ao ganha-pão de quem vive dela. Sei.
Fora que, provavelmente esse desconto seja na base de uns 10 a 5%. Ou seja, a diferença não vai ser significativa.
Tenho acompanhado as repercussões de tal medida, e reproduzo aqui um comentário que muito me chamou a atenção, feito pelo Bruno Medina, tecladista do Los Hermanos, sobre a questão : "Mais difícil do que conquistar a preterida equiparidade será me convencer de como um disco que hoje é vendido por R$ 33.00, e, depois da lei, por R$ 30.00, resultará num reaquecimento do mercado e, por consequência, em duro golpe na pirataria. Sinceramente não consigo enxergar como os novos parâmetros acirrariam a competição com arquivos baixados de graça na internet ou CDs adquiridos por R$ 5,00 nas banquinhas do camelô".
Pois é. Que diferença de preço! De R$ 33 para R$30! Todos vão deixar os downloads de lado e comprar um monte de CD! A pirataria está com os dias contados!Com um desconto assim, torna-se irresistível comprar um CD!Não sei o que estou fazendo aqui, em frente a esse computador, quando deveria estar comprando CD´s!
Porém, ironias à parte, pelo menos para mim, nada substitui escutar música com um encarte em mãos, com as informações sobre quem gravou o quê, sobre quem produziu, com as letras, fotos e o escambau. É aquele tal lado romântico do jurássico vinil, que já está se extendendo também ao agora cretáceo CD. Mas os tempos são outros. Tal modelo de comercialização da música já agoniza, já não é mais compatível com os tempos atuais.
O impressionante é ver que muitos ainda não se deram conta disso.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

DISCOS DE SEGUNDA (FEIRA)


DRÊS- NANDO REIS E OS INFERNAIS (2009)
Para inaugurar essa sessão do blog, que tratará de lançamentos, escolhi o mais novo disco de Nando Reis, Drês, que não é exatamente um lançamento, pois já está sendo trabalhado há, no mínimo, uns dois meses.
Pra justificar a falta de "timing", cito como uma das razões para essa escolha a recente passagem do cantor pelas terras potiguares, show que não presenciei por conta de um dilúvio que caía na cidade naquele dia(maldita chuva!)...tudo bem,fica para a próxima.
Em seu mais novo disco junto aos Infernais, Nando Reis investe numa sonoridade bem mais rock, aproximando-se do som que a banda faz nos palcos. Podemos observar isso na maioria das faixas, especialmente "Mosaico abstrato" - de longe minha preferida -que tem um ótimo riff de guitarra (o guitarrista, Carlos Pontual, deve ter se aproveitado da condição de produtor do disco pra puxar sardinha pro lado dele...).
Um aspecto interessante, no que tange ao quesito "banda": há,inegavelmente, uma maior coesão sonora, uma sonoridade mais... banda. A meu ver,Drês não é mais um disco solo de Nando Reis. Drês pode ser considerado um disco também dos Infernais.
Porém, apesar da evidente pegada rocker que permeia o disco, ainda há aquilo que se tornou a identidade, a marca registrada da sonoridade adotada pelo músico em sua carreira pós-Titãs: o violão. podemos vislumbrar isso especialmente no dueto com Ana Cañas em "Pra Você Guardei o Amor", balada bem minimalista, contando apenas com as vozes de Nando e Ana, o violão e uma percussão. Ou seja: apesar da veia roqueira, da maior ênfase nas guitarras, o violão ainda é o instrumento que melhor define o som de Nando Reis e os Infernais. E isso é algo não só importante, mas cada vez mais difícil de se conseguir: preservar seu som enquanto se investe em outras abordagens, mesmo que nem tão experimentais e/ou inovadoras.
Vendo a obra por outro aspecto,pode-se dizer também, sem margem de erro, que Drês é um dos trabalhos mais confessionais da Carreira de Nando Reis. E não precisa ser um fã tiete, daqueles que sabem até o que o cara comeu no café da manhã de 11 de julho de 2007, pra perceber isso. As letras deixam isso de forma bastante evidente,sem rodeios, sem muitas metáforas, simples e diretas em sua maioria. Temos, como exemplo, as bonitas homenagens à mãe (em "Conta") e "Só pra So",onde dessa vez a homenageada é a VJ da MTV Sophia, filha do cantor. Fora que o país inteiro nessa altura do campeonato sabe que grande parte das canções foram inspiradas na ex-namorada do cantor, chamada Adriana(a Dri da música "Hi, Dri", que abre o disco). Há um clima de saudosismo óbvio em muitas dessas faixas, mas não é um disco sombrio,depressivo. Drês é isso: um trabalho praticamente autobiográfico. Se você gosta da carreira solo dele, vale a pena dar uma ouvida.
Leva o selo de qualidade Roque de mesa, reconhecido mundialmente pela equipe que faz o blog.
Até a próxima.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O novo rock


Olhando meu acervo musical esses dias, me dei conta de que nada mudou de uns dois anos pra cá na minha tendência em ouvir música.
Realmente, já há agum tempo, me vejo mais e mais pesquisando bandas e artistas "dinossauros", aquelas coisas "das antigas", os "clássicos", principalmente das décadas de 1960 e 1980 do que bandas mais novas. E, Sinceramente, pouco,quase nada no novo rock chega a me surpreender ou gerar interesse e empolgação. E aí fico pensando: Por quê?
Existem bandas interessantes no cenário atual, sem dúvida alguma. Eu é que posso estar ficando velho, chato, rabugento e ranzinza, mas não consigo me livrar da sensação de que atualmente parece haver um certo vazio no rock.
Muitas bandas atuais parecem carecer de uma certa falta de identidade, e várias aparecem ao mesmo tempo (sintoma da Globalização e de novas tecnologias como a internet), mas parece que pouquíssimas delas tem algo substancial para acrescentar. E muitas desaparecem logo em seguida, sem realmente mostrar a que vieram, sem ter a chance de amadurecer seus trabalhos, de desenvolver uma linguagem própria. E isso é uma pena.
É o tal do Hype, uma expressão típica dos nossos caóticos anos 2000,onde as informações nos bombardeiam a cada instante, surgem e se vão como ondas num mar ressacado. Num belo dia, uma banda aparece como a salvação da lavoura, a mais fodona ou algo que o valha, para depois ser notícia de ontem quando aparecer outra banda para ocupar seu lugar de "queridinha da imprensa musical e de MTV´s da vida." Parece que nada é durável, que tudo está mais e mais descartável.
Além do mais, muitos artistas "das antigas" que citei ali em cima continuam na ativa, mas a maioria não consegue mais produzir trabalhos tão brilhantes quanto os de outrora.
E nesse contexto, ano passado, me apareceu o Little Joy. Gostei no ato e passei a ouvir compulsivamente por um tempo. Porém(sempre há um), além de ser, aparentemente, um projeto paralelo, é formado por 2 músicos já bastante experientes no cenário musical, não saíram do nada. A minha "tese" aqui é a respeito de artistas novos de verdade, desconhecidos do grande público.
O que eu gostaria muito é que apareçam novos nomes que surpreendam, que façam discos daqueles arrebatadores, que façam a pessoa querer escutar umas vinte vezes ao dia, que se tornem clássicos, ou que os que já estão por aí batalhando não acabem antes de firmarem uma personalidade, para que tenha a chance de, no futuro, serem "dinossauros", referências para os futuros apreciadores do rock n´roll. Aí eu paro de reclamar.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

DISCOS DE PRATELEIRA do Roque de Mesa

Gostaria de ter pensado num nome mais criativo, até inédito, para o que estou propondo nessa recém-inaugurada sessão do blog, mas não consigo pensar num mais apropriado que este. Foi tudo o que meus neurônios puderam conceber, antes de se encaminharem para o assunto que virá adiante- não posso abusar dos coitados...
Sim, essa sessão que proponho aqui tratará de discos -campeões de vendagem ou não- que representem algo para os autores do blog, portanto, as opiniões aqui expressas são totalmente pessoais. Falar-se-á (mesóclises, amo-as. Sempre fazem o texto e o autor parecerem inteligentes) aqui de discos que nos marcaram, de alguma forma, e o porquê (na medida do possível) destes terem lugar privilegiado nas memórias musicais dos elementos que fazem esse blog.
Sem mais embromações, vamos ao primeiro, que é...




Sim, eles mesmos. Sou fã desses caras. Quem me conhece sabe disso, e se não sabe, saberá, bastando pra isso deixar um violão em minhas mãos.
Gosto de muitas bandas, mas apenas 4 posso considerar como "bandas do coração"( um termo meio emo, mas na falta de outro, vai esse mesmo): Legião Urbana, Los Hermanos, os Beatles e, claro, os Mamonas.

E por quê logo os Mamonas?

Simplesmente porque, se não fosse esses caras, talvez eu nem gostasse, ou, pior, nem conhecesse as outras bandas que mencionei. Os Mamonas Assassinas trouxeram para mim o universo do rock. Foi ouvindo esse disco que comecei a apreciar de verdade o som da distorção de uma guitarra. Na época, eu era um moleque que ouvia axé (era o maior fã de Asa de Águia da vizinhança) e minhas pretensões musicais resumiam-se a tocar percussão em uma banda do estilo, em cima de um trio elétrico em micaretas. E, se não tivesse existido essa banda, esse disco, me pergunto:estaria realmente fazendo isso?
Porém, deixando de lado as teorias e voltando ao tema...
É um disco alegre, irreverente, escrachado, pouco recomendável para pessoas da minha faixa etária à época, mas que mesmo assim conquistou de forma avassaladora as crianças de então. Ainda mais se lembrarmos que as músicas continham palavrões e versavam sobre "suruba" (que ninguém daquela idade nem sonhava do que se tratava) e até zoofilia (!)("comer tatu é bom, que pena que dá dor nas costas, porque o bicho é baixinho, e é por isso que prefiro as cabritas"...). Nada disso passava pela cabeça das crianças da época. Porém, a maneira como esses temas eram abordados era de forma até leve, se compararmos com outras músicas que rolam por aí hoje (funk carioca? hã?), e "suavizadas" pelo humor. Talvez esteja aí o apelo com as crianças, e o fato dos pais terem permitido a audição desses versos em volume estridente nos aparelhos de som. Sei lá. Só sei que eu achava massa.

E Tudo isso, claro, com ótimos arranjos instrumentais, onde se sobressai a enorme versatilidade dos caras ao transitarem por diversos estilos - Pagode, Baião, Brega,entre outros - e mesclá-los com a pegada do Rock.

Em suma: a audição desse disco mudou minha vida no que se refere à música. E muita gente por aí da minha faixa de idade que também curte Rock n`roll talvez tenha começado a ouvir esse estilo também por influência do quinteto de Guarulhos, e talvez não tenha se dado conta disso ou não queira admitir...

Obrigado, Mamonas Assassinas!

domingo, 12 de julho de 2009

Pirataria x indústria cultural: uma reflexão


(post originalmente publicado no blog caos controlado, também de minha autoria. visite lá! http://www.caoscontrolado.blogspot.com/)
Já que falar de Michael Jackson já cansou, vamos tratar de um tema não menos relevante e muito menos inédito pra quem curte música: a pirataria.
Pois é... a polêmica em torno desse assunto está muito longe de acabar. Algumas das questões mais polêmicas em torno do tema: A pirataria é prejudicial à saúde da nação, já que o resultado econômico da atividade cultural representa, aproximadamente, 6% do PIB brasileiro? A Pirataria é uma prática nociva que dará fim a cultura artística e a propriedade intelectual onde quer que ela exista?A venda de produtos piratas pode ser considerada uma fonte de sobrevivência de (algumas)pessoas que não tem outra perspectiva além de vender Cds e DVD´s falsificados (os camelôs)? ou é apenas o reflexo de um aspecto cultural de nosso povo, o "querer levar vantagem em tudo?"Segundo o site socinpro.org, 'A cada dez Cds vendidos, cinco são piratas, e outros tantos são copiados pela internet. É a chamada Pirataria digital". Opa, peraí: quer dizer que se eu baixar pela internet um Cd que eu não acho em loja alguma eu estou cometendo um crime??????
Vejam bem,não estou querendo fazer apologia alguma da pirataria, só estou apontando questões para discussão ( e não são poucas...), com o máximo de imparcialidade possível.
A questão da pirataria no nosso país tem uma causa óbvia: o gritante descompasso entre a renda do brasileiro e o preço de um produto como um Cd, um Dvd ou um software original (Quem aqui nunca comprou um Dvd pirata que atire a primeira pedra!). Ok, então é só baixar o preço desses produtos que a pirataria acabará. Infelizmente eu descobri que a coisa não é tão simples assim...
Esses produtos vão ficando cada vez mais caros por causa da perda dos lucros das empresas, devido ao grande aumento da oferta de produtos piratas... Ou seja: nessa lógica, o produto vai encarecendo por causa da pirataria e as pessoas compram os produtos piratas porque os originais são caros, o que gera um ciclo vicioso gigantesco. Eu mesmo acho um absurdo alguns Dvd´s custarem R$ 60,00. Tem um cara ali que vende a R$ 5,00. Tentador não?Vejam só onde a situação vai parar...
Mas tem o outro lado da questão: os tempos são outros, o paradigma das coisas está mudando radicalmente e de uma maneira cada vez mais rápida e vertiginosa: O advento da internet, o acesso rápido a uma quantidade enorme de informação, a digitalização dos filmes e da música, que acabam por não necessitar mais de suportes físicos (o Dvd e o Cd), os sites e programas especializados em compartilhamento de arquivos. Há ainda a questão da música independente, mas isso é coisa para outro post...
Ou seja: está claro que a indústria cultural, nos moldes de hoje, está condenada ao desaparecimento caso não se adapte às características dos novos tempos, que até o momento vêm favorecendo os "piratêros". Porém, isso não é uma resposta definitiva para o problema, já que gera mais um monte de questões: caso haja essa adaptação, como ela será? A pirataria diminuirá ou terá seu fim decretado? E a propriedade intelectual, como ficará? que tipo de cultura a internet está forjando para o futuro? As locadoras de vídeo e as lojas de CD´S vão acabar?Eu deixarei de ser considerado um meliante ao baixar discos pela internet?
Pois é, ô mundo complicado, esse...

domingo, 5 de julho de 2009

Ainda existirão ídolos na proporção de Michael Jackson?

Alguns dias já se passaram desde o ocorrido. E não foi um acontecimento qualquer. Foi, sim, algo de grandes proporções: a maior estrela do pop faleceu. Com isso, veio a reboque tudo o que deveríamos esperar e que já vimos antes várias e várias vezes: a imprensa não falava de outra coisa; e aquela gripe lá que estava tirando o sono de muitos ? E aquele avião que caiu? E o Sarney?

Todo mundo falava de Michael Jackson. Todo mundo que tirava sarro estava falando bem, inexplicavelmente . Todo mundo virou fã de Michael Jackson. O seu vizinho ou vizinha, que só ouvia Banda Calypso e Aviões do Forró, agora ouve Thriller o dia todo. O cara que vende mídias piratas ali na esquina já tem as mais variadas coletâneas de Greatest hits do cantor. Ah, e Thriller está lá, obviamente. Aí você vai no centro comercial da cidade, e todos os lugares onde vendem mídias piratas tocam Thriller. Você vai num barzinho com música ambiente e tocam Thriller. O carro de som que anuncia as ofertas daquela mercearia do bairro com pretensões a supermercado toca Thriller. Você liga o rádio e está tocando Thriller. Você ouve falar do Roque de mesa, um blog bacana sobre música, e acessa o dito-cujo. Não está tocando Thriller. Você sente um momentâneo alívio e aí constata que tem um post bem ali falando de Michael Jackson. Bem, depois de tudo isso, nós podíamos ficar de fora? Que raios de blog de música seria esse, se não falasse de Michael Jackson?

Porém, caso o incauto eventual leitor ainda esteja por aqui, prometo que o enfoque desse post vai ser diferente. Sério.

Ok, você ainda está lendo? Obrigado. Vamos lá, então: Tudo que citei acima, mostra nas entrelinhas que há algo mais que sensacionalismo de imprensa e os modismos que de vez em sempre aparecem por essas terras. Mostra o tamanho da importância de Michael Jackson como ícone da cultura pop. E ficam também algumas questões no ar: haverá uma figura que chegue a estas proporções no meio musical? há ainda, no contexto do cenário atual, possibilidades de aparecimento de mega-ídolos do tipo?E porquê pergunto isso?

Bem, nós pouco nos damos conta, mas vivemos num período de transição no mundo da música, onde a indústria cultural, as grandes gravadoras , estão a cada dia sentindo os reflexos da troca de arquivos e dos downloads de música. Além disso, mais e mais grupos e cantores -independentes ou não- surgem divulgando seus trabalhos, numa onda frenética, numa avalanche de música como nunca se viu antes e de tal forma que é impossível estar antenado com tudo. Fora isso, ainda existem as celebridades-relâmpago, aquelas que depois de 15 minutos, desaparecem, tal qual profetizou Andy Warhol(alguém aí pensou no Big Brother e no ídolos?).Ou seja: estamos na era do tudo-ao mesmo tempo-agora. E volta a questão: ainda há espaço para ídolos nesse admirável mundo novo da música?

Na minha humilde opinião: sempre haverá ídolos no meio musical. Isso porque o ramo da música depende disso, já que, se uma banda lança um trabalho,alguém vai gostar. Logo, um público, ainda que pequeno, vai se formar. E aí se a hipotética banda conseguir se firmar, será apresentada a outro tipo de público: os fãs. E aí eles se tornam ídolos. Mesmo que seja de cinco pessoas, mas serão ídolos de alguém.É uma equação até que bastante simples, se vista dessa forma. Mas não é assim tão fácil...

Porém: o surgimento de ídolos na proporção de Michael Jackson, nesse contexto atual que citei, acredito que é muito difícil. E porquê?

O aparecimento de um mega-ídolo requer todo um trabalho, não só musical, mas também financeiro e de marketing. O cara pode ter muito talento, mas pra chegar ao menos perto de onde Michael chegou, tem que ter uma enorme estrutura por trás (sem maldade aqui, hein?), e que envolve milhões. E tal estrutura requer uma indústria musical com $aúde financeira para bancar tudo, além de gente disposta a comprar qualquer coisa que tenha estampada a imagem do astro. As pessoas têm que não só gostar dele, mas amá-lo. E aí entra o marketing. E aí vão mais milhões...
Além do mais, para além de toda a questão mercadológica, Michael Jackson tinha, inegavelmente, um talento fora do comum, reconhecido desde sua infância. Porém, mesmo sendo um excelente artista, milhões foram gastos para se promover sua imagem. Um ídolo não chega a tal da noite para o dia, e nem totalmente do nada. Precisamos enxergar além do mito.

É isso, senhoras e senhores. Não vou me alongar mais. Concluo minha tese acreditando que no contexto atual, não há condições de surgir alguém do nada e se transformar num superastro. A indústria ainda movimenta milhões, mas também está tendo prejuízos a cada ano, vendo o seu negócio passar por um período de mudanças que ninguém sabe aonde vai dar. Assim, fica difícil manter aquela estrutura que mencionei, sem falar na enorme enxurrada de novos nomes que presenciamos por esses dias, os quais nem sabemos se durarão, independente de seu talento ou até da falta dele.

Agora deixe-me ir, pois bateu uma vontade danada de ouvir Thriller.
E se você também quiser ouvir Thriller, acesse o link abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=AtyJbIOZjS8&feature=fvst


Até a próxima.








quinta-feira, 18 de junho de 2009

Danilo Caymmi canta no "Zoombido"

O convidado desta quinta-feira (18) do programa Zoombido, comandado por Paulinho Moska e exibido a partir das 21h30 no Canal Brasil (disponível apenas em TV por assinatura) , é o cantor e compositor Danilo Caymmi. O filho de Dorival Caymmi vai emprestar sua voz grave e interpretações malemolentes à canções como Andança e Brasil Nativo.

Mike Patton canta com Mutantes

O vocalista da banda americana Faith no More, Mike Patton, é um dos convidados do próximo álbum dos Mutantes, “Haih”, previsto para ser lançado em 4 de setembro nos Estados Unidos e ainda sem data de lançamento no Brasil. O disco trará também canções inéditas de Sérgio Dias - único componente restante da formação original da banda - em parceria com Jorge Benjor (O careca) e Tom Zé e Erasmo Carlos (“Singing the Blue”).

Show de Caetano não acontecerá dia 25

Em virtude da coincidência de datas e locais o show de Caetano Veloso não será mais realizado no dia 25 de junho no Machadinho. No mesmo dia já está marcado um show do Pe. Fábio no ginásio Humberto Nesi.. A produção do show de Caetano está negociando uma nova data ou local para realização do espetáculo do cantor baiano.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Cordel faz show em Mossoró

A banda Cordel do Fogo Encantado está com show agendado em Mossoró no início do mês de julho. A apresentação faz parte do encerramento do Festival Usina da Cultura, cuja seletiva de Natal acontece neste sábado(20), a partir das 16h, no Centro Cultural DoSol e contará com apresentações das bandas Orquestra Boca Seca, SeuZé, Distro, Bugs, Nordestenato, AK-47 e Brand New Hate.

Galpão mistura estilos de Rock

As bandas AK-47(rock progressivo), Maverick 67(classic rock), Renda Extra(pop rock), Paralela(pop rock), Coronel Drake (frevo rock) e o DJ Panda se apresentam neste sábado (20) na II edição do evento Vana nigth, que acontece no Galpão 29. Os shows começam apartir das 20h. Na entrada será obrigatório a apresentação da carteira de identidade.

CD registra homenagem de Tom a Vinícius

A gravadora Biscoito Fino está relançando o (raro) cd que registra show de homenagem de Tom Jobim ao amigo e parceiro profissional Vinícuis de Moraes. No repertório de Tom canta Vinícius, gravado em 1990, em ocasião do décimo aniversário de morte do "poetinha, estão inlcuídos clássicos como Soneto da separação, Valsa de Eurídice, Insensatez, Eu Não Existo Sem Você, Eu Sei que Vou te Amar e Garota de Ipanema. O disco conta com a participação de Paula Morelenbaum (voz), Jaques Morelenbaum (cello), Paulo Jobim (violão e voz) e Danilo Caymmi (flauta e voz).

Khrystal brilha em show mais acústico

Eram aproximadamente 18h e quarenta minutos quando a potiguar Khrystal subiu no palco do Teatro Alberto Maranhão, na última terça-feira (16), dentro do projeto Seis e Meia, para (re)apresentar seu excelente - e muito bem comentado - show "Coisa de Preto".

A formação reduzida da banda, composta por Ricardo Baia (violão e vocais), José Fontes (baixo e vocais), Sami Tarik (percussão) e Cleber Moreira (percussão e bateria), sugeria que a aquela seria uma apresentação pouco diferente das outras que o público natalense estava acostumado a assistir. E foi!

Khrystal mostrou aos mais de 300 presentes no TAM um "Coisa de Preto" mais ligth, mais acústico, mais "limpo" e menos "barulhento" do que o de custume.

Aquilo, que a princípio poderia causar um certo estranhamento no público (pois Khrystal conquistou uma parcela significativa do seu público devido ao "punch" de suas interpretações), revelou, aos atentos, uma surpresa interessante: o show estava mais maduro.

Os aproximadamente dois anos de trabalho com o "Coisa de Preto", coroados com uma apresentação bem sucedida no Teatro Rival (RJ) no ínício desse ano, deixaram o espetáculo mais elaborado, menos gorduroso e mais bem resolvido conceitualmente.

Canções como Usina, Coco sem ganzá não é coco, Coisa de Preto e Na Sombra do Juazeiro (destaque para esta última, cuja "conversa" entre o baixo e a voz da ínterprete representou um dos pontos altos da noite) evidenciaram que, tanto nos arranjos, que estão super bem conectados (com todos os "barulhinhos" no lugar), quanto nas interpretações da artista, mais precisas e suaves, evidenciando a faceta delicada da cantora, Khrystal e sua banda trilham o caminho certo para o reconhecimento nacional.

Os poréns da apresentação ficam a cargo das canções "novas" do repertório como Zona Norte e Zona Sul e Potiguaras Guaranis (ambas de Ricardo Baia) que, apesar de boas, destacam o regionalismo temático da música de Khrystal, que ser minimizado para ocupar, um espaço definitivo, no primeiro time da música brasileira. Lugar esse, que por mérito, já é dela há algum tempo.

terça-feira, 16 de junho de 2009

JP Simões

Seus contos e suas músicas, seus mil projetos e sua busca pelo novo.

JP Simões é um dos artistas mais conceituados de Portugal, um constante desafiador de si mesmo. A busca pelo novo em cada coisa que faz, o torna o artista lusitano mais respeitado de sua geração.

JP não é apenas músico. Em 2004 lançou a “Ópera do Falhado”. Em 2006 se aventurou nas animações, lançando o filme “Jantar em Lisboa”, com roteiro e trilha do próprio. Fez outras trilhas para cinema e em 2006, decidiu abandonar suas bandas Quinteto Tati e Belle Chase Hotel, para se dedicar exclusivamente ao seu trabalho solo.

JP acaba de lançar seu segundo álbum solo, intitulado “Boato”, além desse, o compositor ainda tem no seu currículo o “1970”, lançado em 2007.

Acesse os MySpaces de JP Simões
MySpace 1
MySpace 2